Depois de tudo que havia se passado ele resolveu retornar para casa. abre a porta e o cheiro do cômodo fechado por muito tempo quase o empurrou de volta pelo batente entreaberto.Nenhum som ecoava pelo recinto, nem dentro de sua própria cabeça ele conseguia algo concreto - o som da chuva do lado de fora conseguia abafar qualquer propagação sonora.
caminhou pela casa fazendo com que o metal da sola de seu sapato arranhasse o chão de madeira, as vezes pregando. Se dirigiu aos outros cômodos na esperança que nenhum andarilho tivesse se apropriado de seu refúgio durante seu tempo de exploração, e de fato ninguém havia rompido as fechaduras.
Após caminhar pelo território da maneira mais lenta que foi possível, ele retornou ao batente inicial e fechou a porta, jogou a mochila que carregava nas costas no chão e se sentou com as costas apoida na parede, bem ao lado da janela de madeira e vidro; do seu lado uma fraca iluminação que cruzava a janela deixava o aposento com claridade suficiente para ele conseguir enchergar dentro de si.
Barquinhos de papel lançados em enchorradas, histórias cravadas com as próprias mãos nas paredes,canções compostas durante o nascer do sol, o retrato da libélula na parede, suas juras,a chave -pingente- que foi atirado em um telhado qualquer, o suor das despedidas, suas crenças sacramentadas em palavras, seu irmão, o seu trevo prateado e todas as suas outras conquistas se esvairam pelo tempo como fumaça de chaminé lançada ao céu. Apenas os textos marcados em sua pele eram testemunhas de que tudo aquilo era verdade - as vezes, quando ele fechava os olhos, parecia que tudo não passara de ensaios inicíais de uma peça de teatro a ser montada.
A mente se cansa no turbilhão de imagens circulando no teto de madeira.
Olhando para as suas mãos, ele percebe que uma corda prende o seu pulso!. com os olhos mais próximos de seu braço, ele vê ainda mais cordas. Olhando ao resto do corpo ainda mais cordas, por todas as partes, o prendendo. Ele se sente extremamente confortável pois agora ele tem plena certeza que se um se rompe seu peso será sentido pelas outras, a pressão aumentará mas ele não conseguirá cair.
Quanto maior o seu número de dependências mais saudável serão seus próximos capítulos
Depois de acordar desse momento, com o nariz nas páginas morfadas de seu livro ele vê que a chuva se atenuou, apenas poucas gotas caindo nas folas das árvores do lado de fora produzem som. Ele se levanta, vai até a janela e vê, lá longe, um farol.
domingo, 21 de novembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Um dia o sol vai se pôr para você
Nossos medos geralmente estão atribuídos às imagens que de alguma forma nos trazem dor e funcionam como um mecanismo de auto-defesa impedindo assim que nos se submetamos às situação de outrora: quem já sofreu acidente com chamas provavelmente será capaz de desenvolver uma fobia à elevadas temperaturas e qualquer situação que as envolva. Entretanto, o mais curioso, é que individuos que foram submetidos às mesmas experiências traumáticas podem no final das contas, manifestar - ou não - suas esperadas fobias, com intensidades diferentes. acredito que haja sempre um tempo para toda e qualquer manifestação de eventos na vida; é impossível à qualquer pessoa não apresentar medo em uma sequência pós-traumática, sendo variante apenas a duração disso e é aí onde está ao meu ver a linha entre um evento naturalmente benéfico e outro completamente limitante e de certa forma prejudicial.
Não sou o maior exemplo de bravura mas sei bem do meu potencial para superar as coisas - quem me conhece sabe que já levei um tiro e hoje lido com a situação da forma mais cômica possível. Com o tempo eu fui vendo que esse mecanismo de defesa, se prolongado, pode simplesmente amputar parte de coisas boas que poderiam vir a acontecer e passei a optar pelo encurtamento dessa fase mesmo que na maioria das vezes isso significasse um enorme receio de cair novamente em um abismo que estava simplesmente uivando logo atrás dos meus calcanhares; digo que em todas as vezes apenas boas coisas aconteceram, e até então não me balançei nem caí dentro dele.
Enfim, óbvio que, assim como cada pixel dessa página tem um sentido de estar onde está, esse post tem um propósito.
Tente não perder tempo imaginando como seria sem ter ao menos tentado afinal. Mais vale morrer com uma segunda bala :P do que ficar trancado dentro de casa com medo de qualquer som mais estridente, pois independentemente de você, o tempo passa, as folhas secam, o vento as leva, e mesmo que na próxima estação outras estajam lá verdes novamente, elas serão outras.
Não sou o maior exemplo de bravura mas sei bem do meu potencial para superar as coisas - quem me conhece sabe que já levei um tiro e hoje lido com a situação da forma mais cômica possível. Com o tempo eu fui vendo que esse mecanismo de defesa, se prolongado, pode simplesmente amputar parte de coisas boas que poderiam vir a acontecer e passei a optar pelo encurtamento dessa fase mesmo que na maioria das vezes isso significasse um enorme receio de cair novamente em um abismo que estava simplesmente uivando logo atrás dos meus calcanhares; digo que em todas as vezes apenas boas coisas aconteceram, e até então não me balançei nem caí dentro dele.
Enfim, óbvio que, assim como cada pixel dessa página tem um sentido de estar onde está, esse post tem um propósito.
Tente não perder tempo imaginando como seria sem ter ao menos tentado afinal. Mais vale morrer com uma segunda bala :P do que ficar trancado dentro de casa com medo de qualquer som mais estridente, pois independentemente de você, o tempo passa, as folhas secam, o vento as leva, e mesmo que na próxima estação outras estajam lá verdes novamente, elas serão outras.
domingo, 26 de setembro de 2010
Porta-retrato Parte I
Um som de dedilhados descompassados em cordas - um pouco desafinado - mas quem se importa com a sequência de notas ou com o diapasão quando o que se quer é escrever a prória historia com os dedos passeando pelas cordas. Sentado no carpete Ele deitou seu velho violão sobre suas pernas cruzadas e divagou.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Another lap
Alguém aí já ficou com medo de encarar o céu de noite?
quando eu era criança sempre tive. Era uma sensação estranha mesmo, como se ao encarar aquela cortina com pontos brilhantes eu recebesse de volta a mesma encarada, extremamente invasiva, que gerava frio no estômago.
Esse mesmo medo era análogo ao do silencio. sempre foi demasiado reflexivo para mim o estímulo dado por essa situaçaõ. passei um bom tempo me esquivando de ambos e desde final de 2007 eu nunca mais tinha ouvido o silêncio nem encarado a noite, ao menos não mais. hoje não posso dizer que ainda estou assim...
sons, silêncio, luzer pontuais ou não. Realmente afirmo, não estou nada satisfeito com a paisagem.
Oh let's go back to the start
quando eu era criança sempre tive. Era uma sensação estranha mesmo, como se ao encarar aquela cortina com pontos brilhantes eu recebesse de volta a mesma encarada, extremamente invasiva, que gerava frio no estômago.
Esse mesmo medo era análogo ao do silencio. sempre foi demasiado reflexivo para mim o estímulo dado por essa situaçaõ. passei um bom tempo me esquivando de ambos e desde final de 2007 eu nunca mais tinha ouvido o silêncio nem encarado a noite, ao menos não mais. hoje não posso dizer que ainda estou assim...
sons, silêncio, luzer pontuais ou não. Realmente afirmo, não estou nada satisfeito com a paisagem.
Oh let's go back to the start
terça-feira, 20 de julho de 2010
Cela
O dia desaparece... Libélulas somem... frio aproxima e ela se eleva no céu mais uma vez...
já faz um ano desde que ele foi lançado no cômodo que ao menos hoje, e há alguns poucos dias, só é vazio e frio - fato que conforta pois antes da semana passada diversos outros adjetivos poderiam ser atribuídos ao seu novo lar.
crimes não perpetrados foram sua sentença, mas isso importa agora?? esse questionamento não vem em sua mente mais - mesmo depois desse período de reclusão em sua cela, onde cada dia parecia se arrastar como correntes de almas penadas, que podem sentir textura e temperatura de cada pedra do chão.
A lua não mais ilustra no céu uma figura que tem apenas como companhia suas crateras.pelas barras da janela (sua única fonte de luz) ela está lá suspensa, servindo agora como conexão. parece complexo expressar mas a lua é única para qualquer pessoa do mundo. se olhares pelo lado de fora das paredes aqui dessa cidade e outra pessoa de outra parte o fizer, momentaneamente você pode dizer que etsão fisicamente conectados. mesmo em locais diferentes compartilham de uma mesma visão.
Se o quarto está com aspecto bom ou ruim, se aquece ou esfria, se se seca ou umidifica, nada dessas condições são importantes.
agora que ele consegue ver a lua ali, sua presença o aquece, o conforta. ela que sempre esteve ali, agora foi vista pois ela agora consegue trazer-lhe companhia.
ele ajoelha diante de sua única possibilidade de visão quando a noite se aproxima e quando todos dormem e as libélulas do pátio começam a se evaporar no recolhimento do sol e começa a cantar em tom muito baixo, nunca as mesmas músicas, mas com melodias similares e ainda sim ele não se sente plenamente satisfeito. ele acredita que a lua não conseguirá passar para quem está longe a mensagem de forma correta ou ao menos não completa. mas isso também não importa.
e assim se segue rotineiramente essa ritual que nunca o entedi; suas orações deiante do astro continuam até que ela novamente consiga trazer quem está distante mas ao mesmo tempo muito perto.
A noite se despede... a lua se dissolve no branco do céu... sua voz se enfraquece e ele vai dormir com um sorriso no rosto e com sua mão pendurada ao lado da cama....
já faz um ano desde que ele foi lançado no cômodo que ao menos hoje, e há alguns poucos dias, só é vazio e frio - fato que conforta pois antes da semana passada diversos outros adjetivos poderiam ser atribuídos ao seu novo lar.
crimes não perpetrados foram sua sentença, mas isso importa agora?? esse questionamento não vem em sua mente mais - mesmo depois desse período de reclusão em sua cela, onde cada dia parecia se arrastar como correntes de almas penadas, que podem sentir textura e temperatura de cada pedra do chão.
A lua não mais ilustra no céu uma figura que tem apenas como companhia suas crateras.pelas barras da janela (sua única fonte de luz) ela está lá suspensa, servindo agora como conexão. parece complexo expressar mas a lua é única para qualquer pessoa do mundo. se olhares pelo lado de fora das paredes aqui dessa cidade e outra pessoa de outra parte o fizer, momentaneamente você pode dizer que etsão fisicamente conectados. mesmo em locais diferentes compartilham de uma mesma visão.
Se o quarto está com aspecto bom ou ruim, se aquece ou esfria, se se seca ou umidifica, nada dessas condições são importantes.
agora que ele consegue ver a lua ali, sua presença o aquece, o conforta. ela que sempre esteve ali, agora foi vista pois ela agora consegue trazer-lhe companhia.
ele ajoelha diante de sua única possibilidade de visão quando a noite se aproxima e quando todos dormem e as libélulas do pátio começam a se evaporar no recolhimento do sol e começa a cantar em tom muito baixo, nunca as mesmas músicas, mas com melodias similares e ainda sim ele não se sente plenamente satisfeito. ele acredita que a lua não conseguirá passar para quem está longe a mensagem de forma correta ou ao menos não completa. mas isso também não importa.
e assim se segue rotineiramente essa ritual que nunca o entedi; suas orações deiante do astro continuam até que ela novamente consiga trazer quem está distante mas ao mesmo tempo muito perto.
A noite se despede... a lua se dissolve no branco do céu... sua voz se enfraquece e ele vai dormir com um sorriso no rosto e com sua mão pendurada ao lado da cama....
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