segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Cada grão de areia úmida da praia fria penetrava pelos dedos de seus pés e meio que o puxava de volta à direção oposta (como se o vento que passava pela bata semi-aberta não quase a arrastasse)...

Na noite passada ele finalmente achou em seu guada-roupas uma bata que sempre adorou, - devido às grandes correrias da rotina, acabou a deixando se perder no entulho de roupas limpas e sujas (cicatrizes de uma rotina)- vestiu com o maior entusiasmo possível e esperava ansiosamente por uma ligação cobrando pela sua atrazada presença, pois era assim sinalizado que já era hora de sair...
passou por muitos lugares, estes nem vale a pena descrever pois todos eram uma mistura de fumaça, braza, bebidas e uma grande oscilação entre conversas demasiadamente envolventes e momentos de introspecção (pessoas viravam borrões, cheiros se tornavam apenas irritações aos pulmões; apenas a música parecia um pouco mais alta)

Caminhadas pelo asfalto, gargalhadas no meio da rua (eram de outros ou dele mesmo?).

I'm singing in the rain, just siiinging in the rain, what a GLORIOUSss feeling, I'm happy again....

Em um terraço de paredes brancas, forrado com um telhado de vidro (terraço com cobertura?)ele descançou; deitado em um jeans qualquer, ele desenhava com braza e fumaça no céu planos e pretenções, compôs melodias e músicas completa, na verdade, sinfonias - dessas que quando você ouve, tudo o que deseja é um copo de vinho pela metade, um cigarro na outra mão, e se permitir flutuar.

tam taam... tam tam taaaam taam..

ele sentiu seu corpo mais leve, mais leve, mais leve e os sons de conversa foram cada vez mais diminuindo; apenas sua sinfonia foi sendo ouvida... Atravessou o telhado de vidro, não para ir longe, apenas pousou novamente no meio da rua e começou a passear pelas ruas da cidade que nessa hora já não tinham mais tantos carros assim...

tam taam... tam tam taaaam taam..

quando a última nota terminou de ecoar em sua cabeça, ele abriu os olhos e percebeu o cheiro de água do mar penetrando em cada poro de seu corpo; o dia preguiçosamente estava amanhecendo, e estava bem frio

Com os pés na areia, a calça dobrada até o joelho ele começou a caminhar pela areia. o quebrar das ondas e seu azul fraco e levemente pálido estavam agora na regencia de sua trilha sonora (essa fazia sua sinfonia particular parecer um amontoado de notas vermelhas e complexas parecer uma tentativa ridícula de música)

Ele começou com os olhos a procurar algo ali, algo que ele sabia que estava perdido há pouco tempo mas que ainda estava ápta de ser resgatada...
procurou pela areia úmida, pelas cavernas, nos cantos, cavou, cavou cavou cav...

Numa silhueta discreta e amarelada (quase camuflada) ele viu uma pequena planta no meio de pedras e areia seca.. ela era antes uma semente achada por um acaso qualquer de sua rotina; não sabia o que era, mas mesmo assim ele levou para casa e plantou e regou e cuidou; estava esperando curiosamente para ver o que era. Ele imaginava já o que fosse - de uma circunstância tão interessante, não teria como ser algo simples, (e mesmo que fosse, ela era especial, ele sentia isso).

Uma dor imensa tomou conta dele. ele sabia que ela tinha ido, mesmo antes de mostrar o que realmente era, mesmo antes de poder lhe inspirar talvez uma melhor música, um melhor sonho, um melhor ele...

Mesmo assim, sabendo que não foi sua culpa, ele a levou para casa, a emoldurou em um quadro e pendurou na parede de madeira. Sua importância não diminuiu, meesmo o tempo tendo se esvaído, sua ideia ainda o deixava com um perfeito sorriso por baixo de seus olhos redondos castanhos mergulhados em lágrimas de saudades...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um museu de grandes novidades

E ele prossegue pelo caminho. Resolve sair mais uma vez de sua casa.
O cheiro de sândalo das velhas madeiras do piso da casa se distanciam e ele simplesmente deixa, parte presa ao chão, parte infusas em suas próprias vestes, a essência ir se distanciando.

as folhas ûmidas vão sendo marcadas pelo solado seu calçado apenas em busca de um novo- novo? - caminho, um rumo com o qual possa se guiar.

É mais fácil quando se tem uma trilha dividida em três ou quando não se tem trilha alguma para prosseguir?

Dizem que para quem não apresenta destino algum qualquer destino é o suficiente.

Ele, agora, discorda completamente. Ele sabe que mesmo sem farol algum em vista, que lá no fundo, todo mundo sem destino sabe o que quer, apenas não conseguiu segurança suficiente para lançar âncora em terra firme