O dia desaparece... Libélulas somem... frio aproxima e ela se eleva no céu mais uma vez...
já faz um ano desde que ele foi lançado no cômodo que ao menos hoje, e há alguns poucos dias, só é vazio e frio - fato que conforta pois antes da semana passada diversos outros adjetivos poderiam ser atribuídos ao seu novo lar.
crimes não perpetrados foram sua sentença, mas isso importa agora?? esse questionamento não vem em sua mente mais - mesmo depois desse período de reclusão em sua cela, onde cada dia parecia se arrastar como correntes de almas penadas, que podem sentir textura e temperatura de cada pedra do chão.
A lua não mais ilustra no céu uma figura que tem apenas como companhia suas crateras.pelas barras da janela (sua única fonte de luz) ela está lá suspensa, servindo agora como conexão. parece complexo expressar mas a lua é única para qualquer pessoa do mundo. se olhares pelo lado de fora das paredes aqui dessa cidade e outra pessoa de outra parte o fizer, momentaneamente você pode dizer que etsão fisicamente conectados. mesmo em locais diferentes compartilham de uma mesma visão.
Se o quarto está com aspecto bom ou ruim, se aquece ou esfria, se se seca ou umidifica, nada dessas condições são importantes.
agora que ele consegue ver a lua ali, sua presença o aquece, o conforta. ela que sempre esteve ali, agora foi vista pois ela agora consegue trazer-lhe companhia.
ele ajoelha diante de sua única possibilidade de visão quando a noite se aproxima e quando todos dormem e as libélulas do pátio começam a se evaporar no recolhimento do sol e começa a cantar em tom muito baixo, nunca as mesmas músicas, mas com melodias similares e ainda sim ele não se sente plenamente satisfeito. ele acredita que a lua não conseguirá passar para quem está longe a mensagem de forma correta ou ao menos não completa. mas isso também não importa.
e assim se segue rotineiramente essa ritual que nunca o entedi; suas orações deiante do astro continuam até que ela novamente consiga trazer quem está distante mas ao mesmo tempo muito perto.
A noite se despede... a lua se dissolve no branco do céu... sua voz se enfraquece e ele vai dormir com um sorriso no rosto e com sua mão pendurada ao lado da cama....
terça-feira, 20 de julho de 2010
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