Depois de tudo que havia se passado ele resolveu retornar para casa. abre a porta e o cheiro do cômodo fechado por muito tempo quase o empurrou de volta pelo batente entreaberto.Nenhum som ecoava pelo recinto, nem dentro de sua própria cabeça ele conseguia algo concreto - o som da chuva do lado de fora conseguia abafar qualquer propagação sonora.
caminhou pela casa fazendo com que o metal da sola de seu sapato arranhasse o chão de madeira, as vezes pregando. Se dirigiu aos outros cômodos na esperança que nenhum andarilho tivesse se apropriado de seu refúgio durante seu tempo de exploração, e de fato ninguém havia rompido as fechaduras.
Após caminhar pelo território da maneira mais lenta que foi possível, ele retornou ao batente inicial e fechou a porta, jogou a mochila que carregava nas costas no chão e se sentou com as costas apoida na parede, bem ao lado da janela de madeira e vidro; do seu lado uma fraca iluminação que cruzava a janela deixava o aposento com claridade suficiente para ele conseguir enchergar dentro de si.
Barquinhos de papel lançados em enchorradas, histórias cravadas com as próprias mãos nas paredes,canções compostas durante o nascer do sol, o retrato da libélula na parede, suas juras,a chave -pingente- que foi atirado em um telhado qualquer, o suor das despedidas, suas crenças sacramentadas em palavras, seu irmão, o seu trevo prateado e todas as suas outras conquistas se esvairam pelo tempo como fumaça de chaminé lançada ao céu. Apenas os textos marcados em sua pele eram testemunhas de que tudo aquilo era verdade - as vezes, quando ele fechava os olhos, parecia que tudo não passara de ensaios inicíais de uma peça de teatro a ser montada.
A mente se cansa no turbilhão de imagens circulando no teto de madeira.
Olhando para as suas mãos, ele percebe que uma corda prende o seu pulso!. com os olhos mais próximos de seu braço, ele vê ainda mais cordas. Olhando ao resto do corpo ainda mais cordas, por todas as partes, o prendendo. Ele se sente extremamente confortável pois agora ele tem plena certeza que se um se rompe seu peso será sentido pelas outras, a pressão aumentará mas ele não conseguirá cair.
Quanto maior o seu número de dependências mais saudável serão seus próximos capítulos
Depois de acordar desse momento, com o nariz nas páginas morfadas de seu livro ele vê que a chuva se atenuou, apenas poucas gotas caindo nas folas das árvores do lado de fora produzem som. Ele se levanta, vai até a janela e vê, lá longe, um farol.
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